MIDIALAB

Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

  • CONTEÚDO

    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
  • NAVEGUE

  • mais acessados

    • Nenhum
  • agosto 2017
    S T Q Q S S D
    « ago    
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031  

Archive for the ‘Experiência inglesa’ Category

REPÓRTER POR UM DIA NA BBC

Posted by alexandrabujokas em abril 23, 2008

Todos os anos a BBC promove o “Schools Day Report”, quando são convidados alunos das escolas primárias do país inteiro para participar de atividades de produção de notícias. Há uma infinidade de projetos. As escolas que possuem equipamentos de áudio, vídeo e computadores podem produzir conteúdo localmente e enviar o material para a emissora. Estudantes acompanham a rotina dos jornalistas e produzem relatórios sobre o que viram. Monitores da BBC oferecem oficinas na sede da emissora em Londres. Depois, tudo o que foi produzido fica disponível no website.

Neste ano, os alunos experimentaram um modo diferente de produzir notícia: a linguagem dos quadrinhos, numa oficina oferecida na sede da BBC. Primeiro, eles tiveram uma conversa com um jornalista da rede, para entender o que é notícia e, a seguir, foram buscar notícias do interesse deles em jornais e websites jornalísticos. Depois, eles tiveram de elaborar questões para participar de uma entrevista coletiva com outro jornalista. O tema da entrevista era “o que é notícia”.

Por fim, eles aprenderam a usar um software que compila fotos e textos na estrutura de histórias em quadrinhos, escolheram imagens e redigiram textos, para contar um fato noticioso numa linguagem diferente.

A BBC toma o cuidado de fornecer um guia sobre direitos autorais, para que, desde cedo, os alunos aprendam a respeitar essas normas. A oficina realizada nesse dia usou material bruto previamente produzido pela emissora.

Clique aqui para ler o relato da atividade na íntegra (em inglês)

Clique aqui para ler mais sobre o BBC News School Report

Adaptação de uma notícia sobre mergulhador que sofreu ataque de tubarão, produzida por estudantes da Longsands College, de Cambridgeshire, Grã-Bretanha.



Posted in Experiência inglesa | Leave a Comment »

DOIS JEITOS DE FAZER CRÍTICA DE MÍDIA

Posted by alexandrabujokas em janeiro 5, 2008

analysingmediatexts.jpg

“Analysing Media Texts” é um livro editado pela Open University (Milton Keynes, Inglaterra) para estudantes do curso “Understanding Media“, oferecido na modalidade a distância pela Universidade. A introdução escrita por Marie Gillespie e Jason Toynbee (organizadores) oferece uma visão muito esclarecida sobre as diferenças entre a crítica cotidiana que as pessoas fazem sobre filmes e programas de TV e aquela que devem fazer os estudantes de mídia. Reproduzo uma tradução que fiz de um trecho do capítulo Trecho do texto “Textual power and pleasure” (Open University Press, 2006, p. 1-2)

Em certa medida, a análise de como as mensagens midiáticas funcionam reflete nossa experiência com os meios de comunicação. Um dos prazeres de ir ao cinema ou assistir um programa de televisão é conversar sobre o filme ou programa com os amigos ou a família depois. Nós sentimos prazer em discutir sobre diferentes elementos – a história, o desempenho dos atores, os diálogos, os movimentos de câmera e os efeitos especiais. E nós emitimos julgamentos, claro. Na verdade, quando conversamos sobre o assunto, muitas vezes nós discordamos sobre o significado de uma certa ação do personagem, da plausibilidade ou realismo da história, do modo como as decisões foram tomadas no enredo ou de algum outro elemento da história ou programa. Ao agir desse modo, podemos muito bem estar sendo influenciados pelos críticos, que são pessoas pagas para interpretar e julgar textos midiáticos.

Claro que como estudantes de mídia nós também interpretamos e julgamos. Entretanto, a análise textual nos estudos de mídia é bem diferente da crítica cotidiana, por duas razões principais.Em primeiro lugar, a análise dos textos midiáticos envolve a análise das suas estruturas. Desfazer a estrutura implica em ter uma teoria daquela estrutura, um modelo através do qual as convenções funcionam em conjunto para produzir significado. (…) .Entre essas teorias estão a semiótica, as noções de gênero, narrativa e discurso. Juntas, essas teorias produzem um ‘kit de ferramentas’ que podem ser usadas para analisar textos midiáticos. (…).

Em segundo lugar, o modo pelo qual o estudo dos textos midiáticos se difere da crítica cotidiana é que, no estudo, o julgamento de valor quase não se configura. As conversas que temos com os outros sobre mídia tendem a envolver a produção de julgamentos como, por exemplo ‘tal filme é fantástico’ ou ‘que música chata’. Entretanto, a análise textual evita atribuir valor desse modo. Em parte, isso acontece para que haja objetividade. Nas ciências sociais – talvez mais do que nas artes ou humanidades em geral – é importante não depender de nossa experiência subjetiva individual, mas considerar o mundo social do modo mais objetivo possível, usando critérios racionais para organizar e mensurar evidências. (…). Assim, as respostas individuais e subjetivas que nós geralmente produzimos sobre textos midiáticos não cabem nesses critérios [de objetividade].

Entretanto, avaliação e questões de valor são comumente exploradas nos estudos de mídia. A diferença é que esse processo é feito através da identificação de valores políticos e ideológicos que moldam ou sustentam uma mensagem.

ANALYSING MEDIA TEXTS

Marie Gillespie e Jason Toynbee (Milton Keynes, Open University Press, 2006)

Posted in Experiência inglesa | Leave a Comment »

O QUE É MEDIA LITERACY

Posted by alexandrabujokas em janeiro 5, 2008

logo_ofcom.gif

Desde 2003, o Office of Communications (Ofcom), órgão regulador da mídia britânica, vem liderando a implementação de uma política pública de media literacy. A migração para a TV digital foi um dos fatores que motivou tal iniciativa, principalmente porque, com a profusão de canais, o Estado iria perder a capacidade de regulamentação que vinha praticando desde o surgimento da TV. Na página do Ofcom há um link para a definição do que eles entem como “literacia em mídia”, que eu traduzi aqui:

Como explicamos na nossa declaração, não há uma definição única de media literacy. Nós a definimos em nossa declaração como “a habilidade de acessar, compreender e criar comunciações em uma variedade de contextos”. Nosso foco é a mídia eletrônica, apesar de nós reconhecermos que pessoas envolvidas com outras áreas afins estão interessadas no cenário midiático mais amplo.

Media literacy tem paralelos com a leitura tradicional, a habilidade para ler e escrever. Assim, media literacy é a habilidade para ler e escrever informação audiovisual ao invés de texto. No nível mais simples, media literacy é a habilidade para usar uma variedade de mídias e ser capaz de compreender a informação recebida.Em um nível mais avançado, a habilidade de ler se move do simples reconhecimento e compreensão para uma ordem mais elevada de habilidades de pensamento crítico, tais como saber questionar, analisar e avaliar a informação. Este aspecto da media literacy é algumas vezes descrito como “visão crítica” ou “análise crítica”.

Pessoas letradas em mídia deveriam ter habilidades para, por exemplo, usar um guia eletrônico para encontrar um programa que desejam assistir. Elas deveriam saber dizer se concordam ou não com o ponto de vista do produtor – e não apenas dizer se gostaram ou não gostaram do programa. Elas também deveriam saber reconhecer em que medida o produtor está tentando influenciá-las de alguma forma, e deveriam saber interagir com o programa, usando os recursos de interatividade da TV ou do telefone. E elas deveria saber responder ao programa escrevendo ou mandando e-mails para o radiodifusor responsável, manifestando seus próprios pontos de vista sobre o tema do programa. As pessoas deveriam também ser capazes de usar as tecnologias de comunicação para criar seus próprios conteúdos em áudio e vídeo.

Pessoas letradas em mídia deveriam ser capazes de usar a internet para encontrar informações e aceitar que, algumas vezes, o que elas encontram pode representar um ponto de vista particular ao invés de uma afirmação objetiva sobre um fato. Elas deveriam ser capazes de controlar o que elas e seus filhos assistem e evitar que sejam ofendidas com certos conteúdos. Elas também deveriam ser confiantes o suficiente para saber comprar e pagar bens e serviços online, para criar seus próprios websites e para contribuir em discussões de chats.”

Fonte: Office of Communications

Clique aqui para ler a declaração em inglês

Posted in Experiência inglesa | Leave a Comment »