MIDIALAB

Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

  • CONTEÚDO

    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
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Archive for the ‘DiárioLab’ Category

RETOMANDO AS ATIVIDADES

Posted by alexandrabujokas em agosto 23, 2008

Depois de mais de um mês sem postar conteúdos no blog, aos poucos, vamos retomando as atividades. A ausência se deve por dois motivos: em julho, estávamos de férias porque, afinal, somos todas filhas de Deus (falo por e pelas monitoras) e porque eu estive ocupada fazendo curso de Webdesing no Senac, para poder montar um site com materiais pedagógicos resultantes da experiência do Midialab, no ano que vem.

A partir da primeira semana de setembro, retomaremos as oficinas. A Mariana Cerigatto ganhou a renovação da bolsa IC da Fapesp, e vai aplicar com professores as mesmas atividades sobre trailer de cinema que ela fez para os alunos.

A Liana Carvalho, aluna do segundo ano de jornalismo, vai começar a iniciação científica trabalhando com os diários de mídia – um método de avaliação usado na Inglaterra, para tentar sonda como é que os alunos aplicam na vida cotidiana os conhecimentos que adquirem sobre mídia em atividades de educação formal, como as que nós fizemos no semestre passado. Ela vai trabalhar com os alunos que freqüentaram as oficinas entre fevereiro e junho passados.

Também teremos mais uma monitora, a Carol Campi Sperb, aluna do primeiro ano de Jornaismo, que vai começar a conhecer o trabalho.

A Marcele Tonelli, também aluna do primeiro ano, ficou o semestre passado como monitora voluntária e tem esse semestre para formatar um projeto de iniciação científica, trabalhando com o Orkut, numa abordagem educacional (se é que isso é possível).Decidimos fazer isso porque ficamos impressinadas no quão “viciados” em Orkut são os nossos alunos…

Ao leitores do blog, fiquei devendo o relato das últimas oficinas – as que finalizaram as atividades com trailer de cinema e mais três que fizemos, sobre música no rádio. Faço logo, logo.

Quanto a mim, estou trabalhando na criação de um material para trabalhar com os conceitos de identidade e representação. Em linhas gerais, pretendo partir de personagens publicitários bem conhecidos (tipo a Gina do palito, o tiozinho da aveia Quaker, os padres do chocolate…) e criar atividades para desconstruir e reconstruir as representações em torno desses ícones. Vou trabalhar com uma turma de estudantes e outra de professores, concomitantemente.

É isso, o Midialab parece que vai fever a partir de setembro!

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LEITURA, ESCRITA E A QUESTÃO DA IDENTIDADE

Posted by alexandrabujokas em abril 20, 2008

Continuamos enfrentando problemas com a pouca familiaridade que os alunos têm com a prática de escrever textos. Além dos erros de ortografia e gramática, tenho percebido que os textos saem um pouco infantis para a idade deles. Ainda estou buscando modos de enfrentar esse problema. Quanto à ortografia, o uso do corretor do Open Office deve ajudar. Separei alguns cadernos de jornais e levei nas duas últimas semanas. Para minha surpresa, eles se interessaram, ficaram folheando, um aluno quis até fazer as palavras cruzadas (mas não conseguiu fazer tudo, e acabou desistindo).

O que eu observei me fez pensar em algumas coisas. Em primeiro lugar, fiquei imaginando onde começa essa história de que o aluno não sabe escrever porque não lê, e porque não lê, não desenvolve o hábito da leitura e da escrita,  e termina o Ensino Médio sofrendo o analfabetismo funcional etc etc etc.

Quando eu cursava as disciplinas do doutorado, participei de algumas discussões sobre o fato de a escola impor uma cultura que, às vezes, não tem significado na vida do aluno, não respeita a identidade da criança e, no final das contas, não ensina. Em geral, essas discussões se referiam mais a conteúdos ou tipos de textos, por exemplo.

Mas o que ocorre é que, independentemente do tipo de texto, são os fundamentos muito elementares da linguagem que não estão sendo mais ensinados. Presenciei uma cena no Midialab que me fez tecer algumas considerações muito pessoais, mas que talvez tenham lá algum fundamento.

Foi o seguinte: as monitoras e eu decidimos não interferir nos erros dos textos dos alunos – ao menos não de modo incisivo, para que eles não se sentissem intimidados ao escrever. Quem nos chama para corrigir, a gente ajuda; para quem não chama, a gente se finge de samambaia. Mas, num dia desses, uma nova aluna de jornalismo apareceu. Como ela não estava por dentro das nossas decisões, chegou falando que tinha muito erro de português nos blogs, ao que um dos alunos respondeu “é assim que a gente escreve. Se você não quiser, não lê”.

Essa situação me levou a pensar no seguinte: é claro que os alunos ficam – de um jeito ou de outro – sabendo das notícias que circulam na mídia (e, conseqüentemente, circulam entre professores e alunos) sobre a falta de qualidade das escolas públicas, em contraste com a qualidade da maioria das escolas particulares. Quando uma escola pública alcança um nível mínimo de qualidade, vira notícia de destaque no jornal. Esses alunos já se sentem diminuídos por uma série de marginalizações: não têm o mesmo acesso às tecnologias, aos bens de consumo, ao aprendizado de uma língua estrangeira. Ser, de alguma forma, discriminado por não estudar em uma escola boa deve doer na alma de um adolescente, é claro que sim! E talvez a rejeição ao aprendizado da leitura e da escrita seja um mecanismo de auto-defesa: desvalorizar algo que não se sabe pode ser uma saída para não sofrer por não sabê-lo.

Fico pensando no modo como o professores se comportam na sala de aula, ao conversar com os alunos sobre as dificuldades deles com a língua. Talvez esse seja um problema ainda velado, mas muito significativo para enfrentar as questões de ensino e aprendizagem da língua que, no fundo, são também questões de caráter cultural, envolvendo identidades e poder simbólido dentro da sala de aula.

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PROBLEMAS QUE EMERGEM

Posted by alexandrabujokas em abril 6, 2008

Estamos completando um mês de atividades no Midialab, e os problemas vão emergindo. Primeiro: é incrível como os alunos têm dificuldade para escrever. Cada um criou o seu próprio blog e, ao final de cada oficina, eles devem escrever um post relatando o que aprenderam. É um esforço danado para fazer um texto de três ou quatro linhas, fragmentado e com muitos erros de gramática e ortografia. Eu achei que eles fosse entrar no blog fora do período das aulas, mas isso não está acontecendo – embora eles tenham alguma forma de acesso ao computador e à internet, porque o Orkut vive cheio de recados, fotos e vídeos.

Para tentar tratar desses problemas, vamos tomar algumas medidas:

1. Criamos uma comunidade do Midialab na Orkut. Aquilo que eles não escrevem nos blogs, quem sabe escrevam nos tópicos ou manifestem nas enquetes que a plataforma permite criar;

2. Vamos começar a escrever os posts no editor de texto do Open Office e passar o corretor de gramática. Quem sabe vendo o programa corrigindo as palavras ajude-os a se familiarizar ao menos com a ortografia;

3. Vamos começar a levar o Folhateen e recortes de jornais com assuntos do interesse deles, para serem lidos no início, no final das aulas e naqueles momentos em que alguns terminaram a tarefa e outros ainda estão fazendo. Assim, eles convivem mais com o texto escrito.

4. Vamos proibir o uso do Orkut durante as atividades – a não ser participar da comunidade. É que alguns alunos já ficaram muito saidinhos: mal chegam, já vão ligando os computadores e, claro, vão reto para o Orkut, escrevendo sobre aqueles assuntos, com aquela linguagem que a gente já conhece…

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Resultados da oficina de publicidade

Posted by alexandrabujokas em março 30, 2008

Eu me enganei, mas fiquei satisfeita ao perceber que sou uma professora experiente o suficiente para perceber os problemas e, rapidamente, bolar estratégias alternativas.

Comecei a oficina sobre publicidade com a turma de terça-feira imitando uma atividade que aprendi num curso que fiz no British Film Institute em Londres, durante o pós-doutorado. A atividade consistia em cooocar uma série de afirmações sobre a publicidade e a cultura mididática em geral, e os alunos deveriam marcar se concordavam, não concordavam ou não tinham opinião. Depois, eles iriam tabular os dados (eram centenas de alunos, de escolas diferentes participanto) e esses dados seriam enviados para as escolas, para que os professores os usassem nas aulas sobre mídia. Achei a idéia muito interessante, e resolvi fazer aqui também. Minha surpresa foi perceber que, já na primeira afirmação, os alunos do Midialab não sabiam responder porque não conheciam o significado da palavra “estereótipo”. Tentei explicar: “estereótipo é mais ou menos como uma fórmula. O que é uma fórmula?”. Silêncio. “Dêem um exemplo de fórmula”. Eles falaram da fórmula da água e da fórmula da equação de primeiro grau. “Então, quando a água muda de lugar, a fórmula muda ou é sempre H20?”. Eles disseram que é sempre a mesma. “Quando a gente troca os valores da equação, muda o jeito de raciocinar? A fórumla muda ou só mudam as variáveis e o resultado?”. Disseram que só muda o resultado. “Então, na publicidade é a mesma coisa: muda o cenário, muda o produto, mudam as pessoas que aparecem, mas a estrutura é a mesma: um apelo, associado a um produto que, em geral, não tem nada a ver com  o produto. As pessoas estão sempre sorrindo, relaxadas, satisfeitas, tomando cerveja ou remédio para insônia, comprando cosmético ou água sanitária”. O que vocês acham disso? Silêncio.

Fiquei pensando nas razões que geraram o fiasco da discussão inicial: o assunto estava muito abstrato? Ou os alunos simplesmente não têm o hábito de se reunir e discutir um assunto, na perspectiva da investigação?

Outra coisa que eu percebi: na semana seguinte, quando tentei retomar a idéia do apelo, eu começava a falar e alguns alunos começavam a olhar para os lados. Eu parei, perguntei se eles não estavam interessados, não estavam entendendo ou não conseguiam se concentrar. Novamente, silêncio. Daí, eu parti para a parte prática…

Na turma de quinta, pulei a parte da ficha com afirmações e fiz uma conversa informal: “de quais anúncios vocês se lembram?”, “Que influência esses anúncios têm na vida de vocês?” Aparticipação foi melhor: eles disseram que se lembravam da Coca-cola, da Adidas e das Casas Bahia. Disseram que uma das principais influências era o fato de, em geral, eles só comprarem produtos das marcas que eles conhecem, apesar de não terem certeza de que as marcas conhecidas ofereciam produtos melhores que o das marcas desconhecidas. Depois disso, partimos para a análise de anúncios, conforme está relatado no post “Estudando a publicidade (1)”.

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PRIMEIRA AULA

Posted by alexandrabujokas em março 9, 2008

Na terça e quinta-feira (4 e 6 de março), vieram as duas turmas para a primeira aula. Na terça, fiquei sozinha, das 13h30 às 17h30, com 10 adolescentes cheios de energia e uma lista considerável de tarefas: criar um blog pessoal, com título e categorias padronizadas, fazer um auto-retrato e editar um webvídeo de apresentação, que será postado no YouTube e depois embutido no blog. Quatro aspectos chamaram a minha atenção:

– primeiro, que eles realmente aprendem a usar os recursos tecnológicos muito rápido – era mostrar uma vez, e a maioria já estava fazendo, alguns descobriam sozinhos o local das configurações que precisavam ajustar;

– segundo, que eles definitivamente não sabem escrever em português “normal” (era um tal de “pq”, “vc”, “td” e parece que, na língua deles, já aboliram letra maiúscula para escrever nome próprio…

– terceiro, que o uso que esse pessoal tem feito da internet é extremamente limitado: orkut, msn e vídeos bobos do YouTube, principalmente (é que eu deixei eles explorarem o computador livremente por um tempo, e fiquei observando – depois, fiz algumas perguntas sobre os sites que eles usavam). Talvez por causa do uso que eles praticam, vêem a web como um instrumento de diversão. Quando eu disse, por exemplo, que os webvídeos de apresentação de cada um seriam postados no Youtube para serem embutidos no blog, muitos rejeitaram a idéia – e disseram que iriam bloquear o acesso, porque não querem se ver no meio “daquilo”. Parece que vai dar trabalho mostrar o lado sério da produção de conteúdo…

– quarto, que o cansaço é desumano. Provavelmente seria impossível reproduzir a atividade desta semana numa sala com os 30, 40 alunos que os professores normalmente têm. Ainda vou observar melhor, mas estou chegando à conclusão que, para ensinar mídia-educação, é preciso ter, de antemão, plataformas digitais já formatadas e com o conteúdo apropriado para a atividade fim, seja ela a produção de um vídeo, de um álbum de fotos ou de registros de textos, por exemplo. Essas história de preparar o recurso tecnológico (que é a atividade meio) , para daí realizar a atividade fim (que é a tarefa de mídia-educação) junto com os alunos não seria praticável numa sala numerosa. Meu próximo passa, portanto, é pensar no design de plataformas educativas para ensinar sobre mídia.

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COMEÇOU!

Posted by alexandrabujokas em março 3, 2008

 ESCOLA

Na quarta-feira, 27 de fevereiro, fui visitar a Escola Estadual Joaquim Rodrigues Madureira, que irá participar da primeira fase da pesquisa. A escola fica no Parque Vista Alegre, na zona oeste da cidade, e tem 1.400 alunos matriculados – são 600 somente no período da manhã. No primeiro contato, três coisas me chamaram a atenção: primeiro, foi a cordialidade das funcionárias; segundo, foi ver como os alunos do Ensino Médio (ao menos do período diurno) são novinhos! É no mínimo injusto querer que um jovem nessa idade já comece a pensar na profissão. Espero que o curso do Midialab dê a eles oportunidades para explorar profissões ligadas à informática sem muita preocupação. Assim, eles poderão tomar uma decisão mais fundamentada, se é que é possível pensar numa coisa dessas nessa idade. Finalmente, quando estavam todos reunidos no refeitório para organizarmos a turma, eles começaram a fazer algumas perguntas, e um deles perguntou se precisava levar caderno. Eu disse que não, porque o caderno de cada um seria um blog pessoal, que seria criado no primeiro dia. Eles não fizeram uma cara de muito entendimento. Dizem por aí que o livro ainda é a mídia mais usada na escola, e isso pode ser um problema no contexto da vida mediada pelas tecnologias digitais. Que nada! Acho que a mídia da escola ainda é o caderno – daqueles  em que a gente escreve tudo o que o professor passa na lousa. Claro que os professores daquela escola devem ter suas técnicas diversificadas, mas é engraçado como certas instituições culturais permanecem. É… o caderno deve ser uma instituição cultural da escola. Boa idéia essa de substituí-lo pelo blog. Veremos no que vai dar.

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