MIDIALAB

Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

  • CONTEÚDO

    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
  • NAVEGUE

  • mais acessados

    • Nenhum
  • janeiro 2008
    S T Q Q S S D
        fev »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031  

DUAS VISÕES DA RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E JUVENTUDE

Posted by alexandrabujokas em janeiro 6, 2008

Quem se propõe estudar a mídia na escola, de antemão deve ter esclarecidas algumas questões fundamentais. Uma delas é o modo como avalia as relações entre a juventude e as mídias. O professor inglês David Buckingham faz uma síntese de duas abordagens extremadas: o pânico moral e a fé cega na tecnologia e sugere uma posição equilibrada entre os dois extremos. O quadro a seguir sintetiza as posições de Neil Postman e de Dom Tapscott:

DUAS VISÕES DA RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E JUVENTUDE

NEIL POSTMAN

(falando da televisão)

DOM TAPSCOTT

(falando da internet)

Ø A mídia dilui os limites entre a infância e a vida adulta;

Ø A leitura do livro exige aprendizado; a TV não;

Ø Não há distinção evidente entre conteúdo para adulto e para criança na cultura televisiva;

Ø A TV é uma mídia totalmente publicizada, aberta, sem limites: as crianças aprendem todos os segredos da vida adulta sobre sexo, drogas, violência… esses conteúdos costumavam ficar escondidos no tempo da cultura majoritariamente impressa.

Ø É verdade que a mídia dilui as bordas entre infância e vida adulta, e que a tecnologia é mesmo a principal responsável por isso;

Ø Mas não se trata de uma catástrofe e sim de uma forma de libertação para a criança e para o jovem, que agora têm meios de se expressar;

Ø Além disso, há uma diferença entre as velhas e as novas mídias:

TV: passiva, banaliza, forma pessoas estúpidas, isola, enfatiza uma visão única;

INTERNET: ativa, desenvolve a inteligência, fornece visão pluralista, cria comunidades

Quadro síntese elaborado a partirdo capítulo “Why teach the media?”, do livro “Media Education

– literacy, learning and contemporary culture”, David Buckingham, Editora Polity Press, p.3-17)

Buckingham também critica a posição defendida por educadores que vêem na media literacy o caminho infalível para ensinar o jovem a “gostar do que é certo”:

“A educação para a mídia é considerada automaticamente capaz de direcionar a criança e o jovem para uma apreciação da alta cultura, para comportamentos moralmente saudáveis, para crenças mais racionais e politizadas. Ela [a educação para a mídia] parece oferecer nada menos que a salvação.”

(D. Buckingham, Media Education, p.12)

No lugar do entusiasmo cego, do pânico moral e da visão redentora da mídia-educação, o autor propõe uma abordagem calcada nos estudos culturais: antes de mais nada, é importante entender o que é que as pessoas fazem com as mídias. Surge daí um novo paradigma para a educação. Esse paradigma:

1. Não mais se sustenta na idéia de mídia como direcionadora de opiniões, crenças e ideologias, nem como vazia de valores culturais; 2.reconhece a existência desse fenômeno, mas o vê como algo fragmentado, por causa do desenvolvimento das novas tecnologias; 3.Considera pesquisas que mostram que as crianças são mais críticas e conscientes do que se supunha originalmente – aspecto que é notado, inclusive , pela indústria midiática; 4.Considera as mudanças que ocorreram no controle dos pais sobre os filhos – com a proliferação de canais, é cada vez mais difícil impedir que as crianças acessem conteúdos inadequados. O bloqueio, para ser efetivo deverá ser tão extenso que, na prática, poderá virar uma barreira ao acesso em geral. Uma saída prática é ter órgãos reguladores que saibam aconselhar consumidores e cidadãos – a educação para a mídia tem sido interpretada como uma etapa dessa tarefa de aconselhamento.

“O novo paradigma não pretende agir como um escudo para proteger os jovens da mídia e conduzi-los para coisas melhores, mas sim torná-los habilitados a tomar decisões mais informadas, para seu próprio interesse.”

(D. Buckingham, Media Education, p.13)

Do paradigma equilibrado emergem seis questões contemporâneas que devem nortear o trabalho dos educadores em mídia:

 

1. Como identificar o que os estudantes sabem sobre mídia?

2. Como é que eles adquirem compreensão crítica ou de conceitos?

3. Como eles aprendem a usar as mídias para expressar a si mesmos e para se comunicar com os outros?

4. Como eles relacionam discurso acadêmico com suas próprias experiências como usuários de mídias?

5. Como podemos identificar e avaliar evidências do aprendizado?

6. Como podemos ter certeza de que a educação para a mídia faz diferença?

Como em qualquer outra área da prática educacional, a mídia-educação precisa ter um modelo de currículo claro e uma teoria do aprendizado coerente.

Assista aqui um webvídeo sobre as abordagens pedagógicas para a mídia-educação:

Anúncios

Uma resposta to “DUAS VISÕES DA RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E JUVENTUDE”

  1. Arianne said

    ~~Adoreii o conteudoo do assuntoo~~
    Affs*
    Muitoo massaa!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: