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Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

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    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
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MÍDIA COMO PAVRA CHAVE

Posted by alexandrabujokas em janeiro 5, 2008

Raymmond Willians é considerado um dos fundadores dos Estudos Culturais Britânicos. Ele é autor do livro “Key Words”, no qual reúne definições históricas de palavras importantes usadas nas ciências sociais. Publico aqui uma tradução que fiz da palavra “mídia”:

O termo tem sido usado na língua inglesa desde o século 16 e, pelo menos desde o século 17, tem o sentido de intervenção, ação intermediadora ou substância. No século 18 surgiu o uso convencional em relação aos jornais: “através da mídia de sua curiosa publicação” (1795) e esse sentido se desenvolveu através do século 19 para usos como “considerando o seu jornal uma das suas melhores mídias possíveis para tal esquema” (1880). Em termos gerais, a descrição do jornal como mídia para a publicidade se tornou mais comum no século 20. O desenvolvimento do termo mídia (que se tornou disponível no plural no século 19) provavelmente se deu nesse contexto.

O termo mídias passou a ser amplamente usado quando a radiodifusão e a imprensa se tornaram importantes na comunicação (veja a definição do termo); foi aí que essa palavra geral se tornou necessária: mídia, pessoas mediadas, agências midiáticas, estudos de mídia vieram a seguir.

Provavelmente, houve a convergência de três signficados: (1) o velho sentido geral de intervenção, ação intermediadora ou substância; (2) o sentido técnico consciente, como a distinção entre mídia impressa, sonora e visual; (3) o sentido capitalista especializado, no qual o serviço de imprensa ou radiodifusão – algo que já existe ou pode ser planejado – é visto como uma mídia para algo mais, como a publicidade. É interessante que o sentido (1) dependia de idéias físicas ou filosóficas particulares, onde tinha de haver uma substância intermediária entre entre o sentido ou pensamento e sua operação ou expressão. Na ciência e na filosofia mais modernas, e especialmente no pensamento sobre linguagem, essa velha idéia de mídia tem sido dispensada; assim, a linguagem não é uma mídia, mas uma prática primária e a escrita (para a imprensa) e a fala ou a ação (para a radiodifusão) deveriam também ser práticas primárias. É então controverso se imprensa e radiodifusão, como no sentido técnico (2) são mídias ou somente formas materiais e sistemas de signos. É provavelmente aqui que idéias sociais específicas, nas quais a escrita e a radiodifusão paracem ser determinadas por outros fins (de uma informação relativamente neutra para altamente especificada como na publicidade e na propaganda) confirmam o sentido recebido, mas então confundem qualquer sentido moderno de comunicação. O sentido técnico de mídia, como alguma coisa com suas próprias especificações e propriedades determinantes (em que uma versão é tirada como prioritária a partir da realidade e daí dita ou mostrada) na prática tem sido compatível com o sentido social de mídia no qual as práticas e instituições são vistas como agentes para outros propósitos que não os originais. Deveria ser adicionado que na sua rápida popularização, desde os anos 50, mídia tem sido usado geralmente no singular.

KEY WORDS – A vocabulary of culture and society

Raymond Williams (Londres, editora Fontana Press, 1988)

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