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Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

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    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
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DOIS JEITOS DE FAZER CRÍTICA DE MÍDIA

Posted by alexandrabujokas em janeiro 5, 2008

analysingmediatexts.jpg

“Analysing Media Texts” é um livro editado pela Open University (Milton Keynes, Inglaterra) para estudantes do curso “Understanding Media“, oferecido na modalidade a distância pela Universidade. A introdução escrita por Marie Gillespie e Jason Toynbee (organizadores) oferece uma visão muito esclarecida sobre as diferenças entre a crítica cotidiana que as pessoas fazem sobre filmes e programas de TV e aquela que devem fazer os estudantes de mídia. Reproduzo uma tradução que fiz de um trecho do capítulo Trecho do texto “Textual power and pleasure” (Open University Press, 2006, p. 1-2)

Em certa medida, a análise de como as mensagens midiáticas funcionam reflete nossa experiência com os meios de comunicação. Um dos prazeres de ir ao cinema ou assistir um programa de televisão é conversar sobre o filme ou programa com os amigos ou a família depois. Nós sentimos prazer em discutir sobre diferentes elementos – a história, o desempenho dos atores, os diálogos, os movimentos de câmera e os efeitos especiais. E nós emitimos julgamentos, claro. Na verdade, quando conversamos sobre o assunto, muitas vezes nós discordamos sobre o significado de uma certa ação do personagem, da plausibilidade ou realismo da história, do modo como as decisões foram tomadas no enredo ou de algum outro elemento da história ou programa. Ao agir desse modo, podemos muito bem estar sendo influenciados pelos críticos, que são pessoas pagas para interpretar e julgar textos midiáticos.

Claro que como estudantes de mídia nós também interpretamos e julgamos. Entretanto, a análise textual nos estudos de mídia é bem diferente da crítica cotidiana, por duas razões principais.Em primeiro lugar, a análise dos textos midiáticos envolve a análise das suas estruturas. Desfazer a estrutura implica em ter uma teoria daquela estrutura, um modelo através do qual as convenções funcionam em conjunto para produzir significado. (…) .Entre essas teorias estão a semiótica, as noções de gênero, narrativa e discurso. Juntas, essas teorias produzem um ‘kit de ferramentas’ que podem ser usadas para analisar textos midiáticos. (…).

Em segundo lugar, o modo pelo qual o estudo dos textos midiáticos se difere da crítica cotidiana é que, no estudo, o julgamento de valor quase não se configura. As conversas que temos com os outros sobre mídia tendem a envolver a produção de julgamentos como, por exemplo ‘tal filme é fantástico’ ou ‘que música chata’. Entretanto, a análise textual evita atribuir valor desse modo. Em parte, isso acontece para que haja objetividade. Nas ciências sociais – talvez mais do que nas artes ou humanidades em geral – é importante não depender de nossa experiência subjetiva individual, mas considerar o mundo social do modo mais objetivo possível, usando critérios racionais para organizar e mensurar evidências. (…). Assim, as respostas individuais e subjetivas que nós geralmente produzimos sobre textos midiáticos não cabem nesses critérios [de objetividade].

Entretanto, avaliação e questões de valor são comumente exploradas nos estudos de mídia. A diferença é que esse processo é feito através da identificação de valores políticos e ideológicos que moldam ou sustentam uma mensagem.

ANALYSING MEDIA TEXTS

Marie Gillespie e Jason Toynbee (Milton Keynes, Open University Press, 2006)

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