MIDIALAB

Ensino e pesquisa em mídias digitais e educação

  • CONTEÚDO

    O conteúdo deste blog está organizado em seis categorias: TEORIA (resumos, traduções e comentários de textos de outros autores); PRÁTICA (relatos de experiências que eu conheci de outro lugar), MINHA PESQUISA (registro da pesquisa que atualmente desenvolvo na USC com apoio da Fapesp), EXPERIÊNCIA INGLESA (relatos de políticas, pesquisas e experiências no campo da mídia, cultura e educação desenvolvidas naquele país) e NOTÍCIAS. Há também uma categoria com textos em inglês sobre mídia-educação no Brasil.
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Posts de março \30\UTC 2008

Resultados da oficina de publicidade

Publicado por alexandrabujokas em março 30, 2008

Eu me enganei, mas fiquei satisfeita ao perceber que sou uma professora experiente o suficiente para perceber os problemas e, rapidamente, bolar estratégias alternativas.

Comecei a oficina sobre publicidade com a turma de terça-feira imitando uma atividade que aprendi num curso que fiz no British Film Institute em Londres, durante o pós-doutorado. A atividade consistia em cooocar uma série de afirmações sobre a publicidade e a cultura mididática em geral, e os alunos deveriam marcar se concordavam, não concordavam ou não tinham opinião. Depois, eles iriam tabular os dados (eram centenas de alunos, de escolas diferentes participanto) e esses dados seriam enviados para as escolas, para que os professores os usassem nas aulas sobre mídia. Achei a idéia muito interessante, e resolvi fazer aqui também. Minha surpresa foi perceber que, já na primeira afirmação, os alunos do Midialab não sabiam responder porque não conheciam o significado da palavra “estereótipo”. Tentei explicar: “estereótipo é mais ou menos como uma fórmula. O que é uma fórmula?”. Silêncio. “Dêem um exemplo de fórmula”. Eles falaram da fórmula da água e da fórmula da equação de primeiro grau. “Então, quando a água muda de lugar, a fórmula muda ou é sempre H20?”. Eles disseram que é sempre a mesma. “Quando a gente troca os valores da equação, muda o jeito de raciocinar? A fórumla muda ou só mudam as variáveis e o resultado?”. Disseram que só muda o resultado. “Então, na publicidade é a mesma coisa: muda o cenário, muda o produto, mudam as pessoas que aparecem, mas a estrutura é a mesma: um apelo, associado a um produto que, em geral, não tem nada a ver com  o produto. As pessoas estão sempre sorrindo, relaxadas, satisfeitas, tomando cerveja ou remédio para insônia, comprando cosmético ou água sanitária”. O que vocês acham disso? Silêncio.

Fiquei pensando nas razões que geraram o fiasco da discussão inicial: o assunto estava muito abstrato? Ou os alunos simplesmente não têm o hábito de se reunir e discutir um assunto, na perspectiva da investigação?

Outra coisa que eu percebi: na semana seguinte, quando tentei retomar a idéia do apelo, eu começava a falar e alguns alunos começavam a olhar para os lados. Eu parei, perguntei se eles não estavam interessados, não estavam entendendo ou não conseguiam se concentrar. Novamente, silêncio. Daí, eu parti para a parte prática…

Na turma de quinta, pulei a parte da ficha com afirmações e fiz uma conversa informal: “de quais anúncios vocês se lembram?”, “Que influência esses anúncios têm na vida de vocês?” Aparticipação foi melhor: eles disseram que se lembravam da Coca-cola, da Adidas e das Casas Bahia. Disseram que uma das principais influências era o fato de, em geral, eles só comprarem produtos das marcas que eles conhecem, apesar de não terem certeza de que as marcas conhecidas ofereciam produtos melhores que o das marcas desconhecidas. Depois disso, partimos para a análise de anúncios, conforme está relatado no post “Estudando a publicidade (1)”.

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Turma de quinta-feira

Publicado por alexandrabujokas em março 30, 2008

Esses são os alunos que participam das oficinas do Midialab nas tardes de quinta-feira

posterquinta.jpg

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ESTUDANDO A PUBLICIDADE (2)

Publicado por alexandrabujokas em março 30, 2008

Na parte prática, os alunos deveriam produzir um anúncio, usando a noção de apelo para um público específico. Para tanto, foi proposta a “Campanha de valorização dos nerds”, com anúncios que tentassem convencer os bagunceiros a mudar de atitude e começar a estudar.

Procedemos da seguinte forma:

1. Cada grupo fez uma lista de atitudes, gostos e valores dos bagunceiros. Nessa lista entraram coisas do tipo “bagunceiro gosta de estudar”, “de chamar a atenção”, “de ouvir música”, “do Orkut”, “de ficar no pátio zoando”, “de jogar futebol”, “de passear”, “de se divertir com os amigos”.

2. Cada grupo escolheu um dos gostos do bagunceiro e deu um jeito de associar o apelo com o ato de estudar. Essa associação deveria ser feita na forma de um slogan, um tópico frasal e uma ou mais fotos.

3. Antes de montar o anúncio, eles assitiram este tutorial sobre design para anúncio publicitário:

Depois, cada grupo montou seu anúncio, usando o editor de texto do Open Office. Esses foram os resultados:

ANUNCIO 3

ANUNCIO 2

ANUNCIO 1

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ESTUDANDO A PUBLICIDADE (1)

Publicado por alexandrabujokas em março 30, 2008

A primeira oficina do Midialab foi dedicada ao estudo da publicidade. Algumas atividades deram certo, outras não. A aula começou com uma conversa sobre o que os alunos pensavam sobre publicidade: gostam ou não gostam, sentem-se ou não influenciados por ela, onde está essa influência. Depois, foi distribuída uma ficha, com algumas afirmações sobre publicidade e mídia de massa em geral. Eles deveriam marcar se concordavam, discordavam ou não tinha opinião sobre cada uma das afirmações. Essa foi a atividade que não deu certo, porque eles não entendiam o significado de expressões como “As mensagens midiáticas se fundametam muito em estereótipos”. Na hora, a minha saída foi transmitir os conceitos, mas eu percebi que eles tiveram dificuldades e não se envolveram muito com a tarefa. Na turma seguinte, eu pulei essa parte:

QUESTIONÁRIO INICIAL

Depois disso, foi a hora de partirmos para a observação. Mostrei três anúncios de produtos diferentes, mas que tinham em comum o uso da imagem da mulher:

ANÚNCIO CHIVAS

ANÚNCIO INTEL

ANÚNCIO COC

Nesse momento, fiz as seguintes perguntas:

1. A imagem da mulher é explorada do mesmo jeito nos três anúncios?

2. Qual é o motivo para colocar cada uma das mulheres em cada anúncio?

Eles concordaram que o anúncio do Chivas explorava o corpo da mulher, tinha conotação sexual e que o anúncio do COC explorava “o que a mulher estava fazendo, que era estudar”. Mas não souberam dizer se havia algum problema no anúncio da Intel porque, mostrava o corpo da mulher, mas ela estava com roupa.

Fiz uma pausa na discussão e introduzi a noção de “apelo” na publicidade. Primeiro, perguntei o que eles entendiam das palavras “apelo”, “apelativo”. Eles responderam que apelo era uma espécie de convencimento e ser apelativo era usar de tudo para convencer alguém. Considerei um bom começo.

Vimos a noção de apelo segundo o dicionário e retomamos os anúncios. A tarefa era identificar o público alvo de cada um dos três exemplos e o apelo que estava sendo criado com a imagem da mulher. Não foi difícil eles chegarem à conclusão de que o anúncio do uísque associava mulher com prazer (e, conseqüentemente, a bebida com o prazer), o anúncio do chip associava a mulher com a diversão (conseqüentemente, estudar com o computador com chip Intel era mais divertido) e o anúncio do sistema COC associava a mulher com a iniciativa (de conduzir a própria vida profissional).

Para sedimentar a noção que acabava de ser estudada, eles se snetarm em duplas nos computadores e assistiram três anúncios da Coca-cola, feitos para públicos diferentes e usando recursos, linguagem e apelos diferentes. O objetivo era identificar o público alvo e o que os autores do anúncio fizeram para associar o apelo ao produto. Quando o exercício envolve televisão, parece que os alunos têm mais dificuldade. Foi preciso dar um “empurrãzinho” para que eles chegasse à conclusão de que o primeiro anúncio é para um público mais amplo e associa Coca-cola com amizade; o segundo era voltado para pessoas que gostam de vídeo-game (e associa Coca-cola com “games do bem”) e o terceiro era para pessoas que gostam de dança de rua e atividades físicas (e consomem Coca-cola Zero).

Daí, começou a parte prática.

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LINGUAGEM DA PUBLICIDADE

Publicado por alexandrabujokas em março 10, 2008

A primeira atividade de leitura e escrita do Midialab está assim planejada:

1. Os alunos vão receber uma folha, com 11 afirmações sobre comerciais de TV, e devem responder se concordam ou não com cada uma delas. A seguir, faremos um levantamento das respostas dadas a cada um dos itens e eles devem discutir as razões para os pontos de vista. O objetivo dessa atividade é trazer à tona o conhecimento prévio que os alunos têm sobre os “perigos” e o prazer que vem da publicidade.

2. A seguir, será introduzida a noção de “apelo publicitário”, de um modo bastante simples: a partir da análise de quatro filmes publicitários da Coca-cola, eles deverão identificar o público alvo de cada um e argumentar porque acham que determinado filme foi feito para determinado público – a conversa será orientada até esclarecer a noção de apelo.

3. Depois, os alunos irão observar três anúncios que oferecem produtos diferentes, mas têm em comum o fato de usar imagens de mulheres como recurso para criar um apelo. Objetivo é descobrir qual apelo está associado à imagem da mulher.

4. Tratada a noção de apelo, os alunos irão receber algumas instruções básicas sobre estruturação do espaço e tipologia, para criar um panfleto publicitário. Daí, eles devem produzir uma foto, uma frase chamativa e um texto publicitário para montar o anúncio que tenta convencer os alunos a estudar mais. Se tudo der certo, o panfleto será distribuído na escola.

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TURMA DE TERÇA-FEIRA

Publicado por alexandrabujokas em março 9, 2008

Esses foram os primeiros alunos que participaram da oficina de produção de blogs do Midialab

Turma de terça-feira

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PRIMEIRA AULA

Publicado por alexandrabujokas em março 9, 2008

Na terça e quinta-feira (4 e 6 de março), vieram as duas turmas para a primeira aula. Na terça, fiquei sozinha, das 13h30 às 17h30, com 10 adolescentes cheios de energia e uma lista considerável de tarefas: criar um blog pessoal, com título e categorias padronizadas, fazer um auto-retrato e editar um webvídeo de apresentação, que será postado no YouTube e depois embutido no blog. Quatro aspectos chamaram a minha atenção:

- primeiro, que eles realmente aprendem a usar os recursos tecnológicos muito rápido – era mostrar uma vez, e a maioria já estava fazendo, alguns descobriam sozinhos o local das configurações que precisavam ajustar;

- segundo, que eles definitivamente não sabem escrever em português “normal” (era um tal de “pq”, “vc”, “td” e parece que, na língua deles, já aboliram letra maiúscula para escrever nome próprio…

- terceiro, que o uso que esse pessoal tem feito da internet é extremamente limitado: orkut, msn e vídeos bobos do YouTube, principalmente (é que eu deixei eles explorarem o computador livremente por um tempo, e fiquei observando – depois, fiz algumas perguntas sobre os sites que eles usavam). Talvez por causa do uso que eles praticam, vêem a web como um instrumento de diversão. Quando eu disse, por exemplo, que os webvídeos de apresentação de cada um seriam postados no Youtube para serem embutidos no blog, muitos rejeitaram a idéia – e disseram que iriam bloquear o acesso, porque não querem se ver no meio “daquilo”. Parece que vai dar trabalho mostrar o lado sério da produção de conteúdo…

- quarto, que o cansaço é desumano. Provavelmente seria impossível reproduzir a atividade desta semana numa sala com os 30, 40 alunos que os professores normalmente têm. Ainda vou observar melhor, mas estou chegando à conclusão que, para ensinar mídia-educação, é preciso ter, de antemão, plataformas digitais já formatadas e com o conteúdo apropriado para a atividade fim, seja ela a produção de um vídeo, de um álbum de fotos ou de registros de textos, por exemplo. Essas história de preparar o recurso tecnológico (que é a atividade meio) , para daí realizar a atividade fim (que é a tarefa de mídia-educação) junto com os alunos não seria praticável numa sala numerosa. Meu próximo passa, portanto, é pensar no design de plataformas educativas para ensinar sobre mídia.

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COMEÇOU!

Publicado por alexandrabujokas em março 3, 2008

 ESCOLA

Na quarta-feira, 27 de fevereiro, fui visitar a Escola Estadual Joaquim Rodrigues Madureira, que irá participar da primeira fase da pesquisa. A escola fica no Parque Vista Alegre, na zona oeste da cidade, e tem 1.400 alunos matriculados – são 600 somente no período da manhã. No primeiro contato, três coisas me chamaram a atenção: primeiro, foi a cordialidade das funcionárias; segundo, foi ver como os alunos do Ensino Médio (ao menos do período diurno) são novinhos! É no mínimo injusto querer que um jovem nessa idade já comece a pensar na profissão. Espero que o curso do Midialab dê a eles oportunidades para explorar profissões ligadas à informática sem muita preocupação. Assim, eles poderão tomar uma decisão mais fundamentada, se é que é possível pensar numa coisa dessas nessa idade. Finalmente, quando estavam todos reunidos no refeitório para organizarmos a turma, eles começaram a fazer algumas perguntas, e um deles perguntou se precisava levar caderno. Eu disse que não, porque o caderno de cada um seria um blog pessoal, que seria criado no primeiro dia. Eles não fizeram uma cara de muito entendimento. Dizem por aí que o livro ainda é a mídia mais usada na escola, e isso pode ser um problema no contexto da vida mediada pelas tecnologias digitais. Que nada! Acho que a mídia da escola ainda é o caderno – daqueles  em que a gente escreve tudo o que o professor passa na lousa. Claro que os professores daquela escola devem ter suas técnicas diversificadas, mas é engraçado como certas instituições culturais permanecem. É… o caderno deve ser uma instituição cultural da escola. Boa idéia essa de substituí-lo pelo blog. Veremos no que vai dar.

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